Começar o ano emagrecendo

O começo de um ano novo é a época perfeita para reviravoltas. Os desejos e as promessas, consolidados nas famosas simpatias de Réveillon, são pretextos para se reinventar e melhorar a vida nos 12 meses que virão. E ninguém entende tanto de renovação quanto a estrela desta reportagem. Com 116 anos muito bem aproveitados, o ácido acetilsalicílico — na boca do povo, o nome aspirina da marca pioneira virou seu sinônimo — ainda figura no rol dos remédios mais efetivos no tratamento de diversas doenças. Seu fôlego centenário parece não ter fim: novos estudos mostram que ela pode ser útil na prevenção e no tratamento de problemas de saúde muito complexos, coisas que fármacos bem mais jovens parecem não dar conta. A descoberta mais recente, inclusive, sugere que o comprimido branco protege os neurônios e todo o cérebro.

É o que provaram os pesquisadores da Universidade de Gotemburgo, na Suécia. Eles recrutaram 680 mulheres idosas com problemas cardiovasculares para averiguar a efetividade do fármaco contra perrengues no coração e nos vasos sanguíneos. Ao final de cinco anos de investigação, independentemente das questões do coração, as senhoras que tomavam o medicamento diariamente conseguiram manter a capacidade mental em melhor estado do que aquelas que não se valiam da substância.



Para engrossar o coro de benesses na cabeça, especialistas da Faculdade de Saúde Pública de Bloomberg, em Baltimore, Estados Unidos, concluíram que uma dose por dia da droga reduz em 23% o risco de ter a doença de Alzheimer, mal degenerativo que dá as caras na terceira idade e, infelizmente, ainda não tem cura. Uma das explicações para essa relação está na boa manutenção dos vasos que irrigam a massa cinzenta, levando oxigênio e nutrientes para as células nervosas. "O ácido acetilsalicílico diminui o risco de lesões provocadas por um AVC", explica o neurocientista Ivan Izquierdo, diretor do Centro de Memória e coordenador científico do Instituto do Cérebro da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Isso significa que, ao longo dos anos, a possibilidade de perdas de raciocínio e memória fica menor.

"Também sabemos que anti-inflamatórios como a aspirina inibem a formação de amiloide no cérebro, um gatilho para o surgimento do Alzheimer", sinaliza a neurologista Sônia Brucki, membro da Academia Brasileira de Neurologia. Essa proteína — presente nos mais variados órgãos, como pulmões, rins, intestinos e também no cérebro — atrapalha o funcionamento das células nervosas até levá-las à morte.

Será então que todas as pessoas deveriam tomar um comprimido desses por dia? Não. "A relação entre o remédio e a cognição ainda é bem duvidosa. Precisamos contar com indícios mais fortes antes de recomendar o uso regular", afirma Sônia Brucki. Para resguardar as lembranças, invista em exercícios lógicos e esportivos. Esses, sim, contam com a chancela da ciência no combate ao declínio mental.

As origens do fármaco

O ácido acetilsalicílico, alcunha científica da aspirina, foi criado a partir da Spiraea ulmaria, uma planta europeia. Hoje em dia, sua produção é totalmente sintética. "Ela tem uma molécula extremamente versátil e interessante, capaz de interferir em diversas reações metabólicas do corpo", ensina a farmacêutica Cristina Northfleet de Albuquerque, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo.

As dores para ficar magra

Técnico minimamente invasiva ajuda a acabar com as pedras maiores, responsáveis por dores quase insuportáveis.


Quem já teve cólica de rim não deseja o flagelo nem para o pior inimigo. Ela ocorre quando uma pedra obstrui o sistema urinário, inchando o órgão e causando um sofrimento de lascar. Quando é pequeno, o pedrisco costuma ser expelido naturalmente. Mas, quando o cálculo chega a 1 centímetro de diâmetro, a tecnologia entra em ação para fragmentá-lo. Uma das opções é a litotripsia extracorpórea, e, apesar de o nome assustar, é a menos agressiva para o organismo. Nela, ondas eletromagnéticas destroem o material sólido.

Já para pedras maiores de 1,5 centímetro, o jeito seria apelar para procedimentos cirúrgicos. E, até há pouco tempo, dominava nas salas de operação a técnica percutânea, na qual um aparelho penetrava pela pele, perfurando o rim para atingir a causa do sofrimento. Hoje, ainda bem, uma técnica mais simples, embora também balizada com palavras intimidadoras — uretero-nefrolitotripsia flexível —, é capaz de detonar pedregulhos com o laser de um aparelho introduzido pela uretra (entenda como ele atua no infográfico à direita). Um estudo publicado na revista científica Journal of Endourology comprova sua eficácia em 95% dos casos em que foi usada para dar cabo de pedras de até 3 centímetros.

Antes de se decidir pelo método, porém, o especialista leva em consideração fatores como a resistência e a posição do cálculo grandalhão. "Até porque, às vezes, uma sessão é insuficiente. Então, é preciso repetir a cada duas semanas", explica o urologista Ornar Hayek, do Hospital Israelita Albert Einstein, na capital paulista. Às vezes, são necessárias umas quatro sessões para esmigalhar de vez o problema, sempre com anestesia geral. "Mesmo sem incisão cirúrgica, a manipulação do equipamento dentro do sistema urinário causa dor", justifica o urologista Ricardo Natalin, especialista no tratamento de cálculos renais por via endoscópica. "Mas o pós-operatório compensa, porque a pessoa recebe alta no mesmo dia. Na tradicional técnica percutânea, ela passaria até cinco dias hospitalizada", pondera.

Só que, no Brasil, poucos médicos dominam a novidade, assim como é pequena a lista de centros aptos a realizá-la. Conforme relata o urologista Edilson Antônio Nunes, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, o aparelho é importado, caro e delicado. Em geral, resiste a cerca de 20 sessões e, quando quebra, dificilmente tem conserto. Isso eleva o preço do procedimento a 15 mil reais, no mínimo. Para doer menos no bolso, a boa notícia é que alguns convênios médicos oferecem cobertura ao tratamento.

As mulheres e o emagrecimento

Nas mulheres, as perdas com fluxo menstrual muito intenso e a necessidade de nutrientes extras na gestação minguam os glóbulos vermelhos. E, seja qual for o sexo, é preciso investigar se há sangramento gastrointestinal, úlceras gástricas ou diarreia crônica provocando sinais como dor de cabeça constante e até desmaios. "Isso porque, para a absorção do ferro, o estômago e o intestino delgado precisam estar com seu funcionamento normal", justifica a hematologista Sandra Gualandro.

Para turbinar a presença da proteína que carrega o oxigénio pelo organismo, além da suplementação por medicamento (veja ao lado), abra espaço no cardápio para itens com fartura do mineral. "As carnes, especialmente as vermelhas, contêm o tipo heme, que é dez vezes mais aproveitado pelo sangue que o não heme, presente nos vegetais", esclarece Carlos Alberto Nogueira de Almeida, diretor da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran). Saiba mais sobre pesquisas de emagrecimento clicando aqui.


Outro aviso: evite a combinação inadequada de alimentos. O cálcio do leite inibe a total absorção do ferro. O tanino do chá-preto e a cafeína daquele cafezinho depois da refeição também. A solução é ingerir essas bebidas uma ou duas horas após comer um bife grelhado, certo? Por outro lado, a vitamina C de um copo de suco de fruta cítrica ajuda — e muito — a tirar proveito da força de um prato forrado de vegetais. Para os miudinhos, nunca há dúvida: o menu completo é o leite materno, campeão também no quesito absorção. O problema é que, após o desmame, ele costuma ser substituído pelo leite de vaca e, assim, sobe a chance de a anemia dar as caras. "O ideal seria ter um programa para fornecer fórmulas infantis fortificadas a famílias sem condições de adquiri-las. Isso, sim, teria um impacto e tanto na contenção desse mal por aqui", recomenda Almeida.

Anemia e emagrecimento

Embora a anemia possa consumir as forças de pessoas de qualquer faixa etária, há grupos em que o risco é potencializado. E os primeiros testes do novo aparelho com a garotada paulistana confirmaram que os pequenos estão entre os mais afetados. Na turminha assistida pelo Centro Assistencial Cruz de Malta, 20% tinham ferro de menos no sangue, índice preocupante e um espelho da tendência no país. "As crianças nascem com estoque suficiente para os primeiros seis meses. Após esse período, é importante que o ferro seja obtido dos alimentos, seguindo a orientação do pediatra", diz a médica Sandra Fátima Menosi Gualandro, chefe do Laboratório de Hematologia do Hospital das Clínicas de São Paulo.




Nos primeiros dois anos de vida, a atenção tem que ser redobrada. "Nessa fase, quando se desenvolve o sistema nervoso central, a enfermidade pode causar alterações neuro-psicomotoras, com déficit intelectual muitas vezes irreversível", alerta Mário Bracco, hoje ligado ao Hospital Israelita Albert Einstein e coordenador de pesquisa científica do Hospital Municipal M'Boi Mirim, em São Paulo.
O médico viajou pelo país para testar o hemoglobinômetro em campo e, a cada parada, se confirmava a extensão do problema. Foi assim em Ilhabela, no litoral paulista, em Santa Luzia do Itanhy, em Sergipe, e em Macapá, no Amapá. Mas nas comunidades ribeirinhas da foz do Rio Amazonas, no Pará, onde foram examinados adultos e crianças, o déficit do mineral se apresentou a alarmantes 40% da amostragem. "Um cenário assim reforça a necessidade de campanhas informativas", defende Bracco. Por isso, a equipe aproveitou as visitas para promover palestras sobre alimentos ricos em ferro e a importância de combater sua carência.

"Esse mal avança sem dar sinais claros. Isso porque o organismo se adapta. A sonolência, por exemplo, é uma maneira de poupar energia para os órgãos vitais, como coração, pulmão e fígado", explica Bracco. Jovens na etapa do estirão, em que o corpo recruta energia tendem a emagrecer mais rapidamente por causa do metabolismo.