Quem já teve cólica de rim não deseja o flagelo nem para o pior inimigo. Ela ocorre quando uma pedra obstrui o sistema urinário, inchando o órgão e causando um sofrimento de lascar. Quando é pequeno, o pedrisco costuma ser expelido naturalmente. Mas, quando o cálculo chega a 1 centímetro de diâmetro, a tecnologia entra em ação para fragmentá-lo. Uma das opções é a litotripsia extracorpórea, e, apesar de o nome assustar, é a menos agressiva para o organismo. Nela, ondas eletromagnéticas destroem o material sólido.
Já para pedras maiores de 1,5 centímetro, o jeito seria apelar para procedimentos cirúrgicos. E, até há pouco tempo, dominava nas salas de operação a técnica percutânea, na qual um aparelho penetrava pela pele, perfurando o rim para atingir a causa do sofrimento. Hoje, ainda bem, uma técnica mais simples, embora também balizada com palavras intimidadoras — uretero-nefrolitotripsia flexível —, é capaz de detonar pedregulhos com o laser de um aparelho introduzido pela uretra (entenda como ele atua no infográfico à direita). Um estudo publicado na revista científica Journal of Endourology comprova sua eficácia em 95% dos casos em que foi usada para dar cabo de pedras de até 3 centímetros.
Antes de se decidir pelo método, porém, o especialista leva em consideração fatores como a resistência e a posição do cálculo grandalhão. "Até porque, às vezes, uma sessão é insuficiente. Então, é preciso repetir a cada duas semanas", explica o urologista Ornar Hayek, do Hospital Israelita Albert Einstein, na capital paulista. Às vezes, são necessárias umas quatro sessões para esmigalhar de vez o problema, sempre com anestesia geral. "Mesmo sem incisão cirúrgica, a manipulação do equipamento dentro do sistema urinário causa dor", justifica o urologista Ricardo Natalin, especialista no tratamento de cálculos renais por via endoscópica. "Mas o pós-operatório compensa, porque a pessoa recebe alta no mesmo dia. Na tradicional técnica percutânea, ela passaria até cinco dias hospitalizada", pondera.
Só que, no Brasil, poucos médicos dominam a novidade, assim como é pequena a lista de centros aptos a realizá-la. Conforme relata o urologista Edilson Antônio Nunes, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, o aparelho é importado, caro e delicado. Em geral, resiste a cerca de 20 sessões e, quando quebra, dificilmente tem conserto. Isso eleva o preço do procedimento a 15 mil reais, no mínimo. Para doer menos no bolso, a boa notícia é que alguns convênios médicos oferecem cobertura ao tratamento.
